quarta-feira, 22 de abril de 2015 | By: Mel Santos

Sei não

Desistir, pelo som da palavra - é como deixar algo,
de-existir...


percebeste o meu aceno?
talvez não,
tantas vezes acenei-te
em busca de um olhar,
do teu sim...

só viste o teu revérbero
cintilar a minha têmpora.

no meu aceno - todas as flores estendidas
no teu altar.
no meu aceno - todas as águas jorradas
com teu passar.

inda assim, não alcançaste o meu aceno...
olha-o bem, guarda-o em tua íris,
para que, quando avistares
o arco, as cores estejam salvas!

olha, por não teres visto
o meu aceno amor...
de acenar, desisto,
para não morrer de inanição!



Mel









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domingo, 1 de março de 2015 | By: Mel Santos

Flerte


na cruzada de olhares perdidos,
ou achados,
todas as perenes possibilidades,
um diálogo seco, fitado.

talvez, um pouco de ousadia,
que é o que torna a vida o milagre!

pavoa-se, no entanto, horizonte cortado,
e o mistério d"outro permanece oculto,
brasa-gris sem assopro, apenas supõe-se!

sem atitude - natimorto!
perdeu-se o tempo no vácuo...



Mel

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sábado, 31 de janeiro de 2015 | By: Mel Santos

amo-te



amo teu hálito,
tanto, que nem sei se
te beijo ou te respiro.

amo tua voz
que me toma de assalto
e me devolve inteira,
mas amo também o teu silêncio,
e este, só quando estás ao meu lado.

amo teu sorriso iluminado,
àquele: espelho de felicidade.
amo tua emoção - tuas lágrimas,
nelas vejo sinceridade.

amei-te num beijo profundo,
e amo-te,
inda mais,
depois de estarmos entrelaçados.


Mel




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terça-feira, 8 de julho de 2014 | By: Mel Santos

Sou eu


revelo-me
em cores,
em preto,
gris - em negativos

revelo-me
em passos largos,
nos que ainda estão contidos

revelo-me
eis o que sou,
minhas faces - meus polígonos

revelo-me
em poesia
esses meus lados tão ambíguos

revelo-me
pois já sou livre
para mim
e meus amigos

revelo-me
porque a idade
me cura do perigo
revelo-me
para não levar
nenhum segredo
pro jazigo!


Mel









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IMENSO


é você, com esse ar
de menino grande
desprovido de malícia

Imenso
é o teu pensar
e a tua filosofia...

Imenso
é o que quero te dar,
hoje,
e mais um dia!

aspiro-te Imenso e respiro-te
na sede de te engolir
retendo-te dentro de mim,
pois tu és uma delícia!


Mel






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domingo, 1 de junho de 2014 | By: Mel Santos

Para você, é claro!



Hoje só a poesia para me entender
amanheci melancolia, com saudade
de sei bem o quê... com uma viva
estação pulsando dentro do meu ser!

uma viagem com bilhete só de ida,
o cheiro de tua mão, o toque em
minha face, a certeza da despedida...
o encontro no meio do caminho - desenlace!

este mesmo caminho desenhado de flor
e uma névoa fina a completar o mistério...
do encontro? talvez do desencontro de amor!...

um café para começar e a mão na mão
e o olhar no olhar, como se um noutro
quisesse se achar... o enigma de amar!

numa manhã o começo, numa tarde o fim!
todavia, inda que despedida, um carinho...
um fio dourado - uma doce amizade -
uma prosa-prazerosa que vive em mim!

se saudade tem cor, a minha é azul-hortênsia...
se saudade tem gosto, a minha tem o gosto da
tua saliva... se saudade tem textura, a minha tem
a textura da tua pele, a maciez da tua voz, então
ela tem corpo... o teu! e asas, as quais renderam
o "brevê" do carinho que sentimos à presença do outro - presença leve!

dito popular: "case com seu melhor amigo,
pois quando tudo acabar, ainda haverá uma boa
conversa"... 


Mel







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sexta-feira, 16 de maio de 2014 | By: Mel Santos

Sou tua


brado num rito de dor,
porém, só o eco do silêncio
e o tic-tac das horas
à gargalhar de minha solidão,
até o romper d`aurora...

suponho que a tua chegada tardia,
inda encontre-me primavera... venha!
antes que a última flor-branca da figueira,
aos poucos perca as pétalas...

inúteis abelhas, tentam o néctar sugar
todavia, guardei-o para os teus lábios,
só eles podem sentir o meu gosto - Âmbar!

vem meu amor, poliniza-me! dá-me de tua seiva!
espero-te insone, desde o mais longínquo inverno,
serei teu amor, tua deusa e serva!


Mel






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sexta-feira, 25 de abril de 2014 | By: Mel Santos

Lhe peço

não pinte os seus cabelos, 
         juro, não pintarei a minha boca,
quero encontrá-los em paz,
         para cessar a minha busca!


Mel




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terça-feira, 22 de abril de 2014 | By: Mel Santos

Indiferença

De tão triste essa tristeza,
nem uma nota benfazeja,
vem em meu encalço acudir...

Só a dor da indiferença,
rasgando o meu peito,
meu presente e meu porvir!

Salva-me de tua ausência,
de teu silêncio alucinante,
sem ti não tenho alegria,
sem ti não vejo horizonte,
talvez, não veja nem a luz do dia...

É essa maldita mal-querença,
que mata mais do que doença,
e não há remédio "seu doutor"!

isso é morrer por gosto
isso é morrer de amor...



Mel



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quarta-feira, 9 de abril de 2014 | By: Mel Santos

Desejo

te desejo além de minhas forças,
desejo com as pernas e o céu da boca,
te desejo com as minhas mãos e olhos,
te desejo, e esse desejo me deixa louca!

te desejo com os pés e os dedos,
te desejo com os braços e os seios,
te desejo a flor da pele...
e esse desejo, vem do meu cerne!

te desejo com olfato, paladar e visão,
te desejo com o tato e minha audição!
todos meus sentidos a ti estão voltados.
uma sede, um gosto, [ humm!], meu bem querer!

desejo andar parelha contigo
e quando não mais houver desejo,
desejo-te como meu amor-amigo!

inda que eu negue, meu corpo fala!


Mel





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domingo, 6 de abril de 2014 | By: Mel Santos

Doce presença

Dentro da noite sem cor,
lençóis reprimidos,
olhos juncados de solidão,
corpo em pleno estio...

Na pele eriçada,
a memória de um amor de verão...
cristalizado no olhar,
junto às hortênsias
e alamandas amarelas da estação...

Eis que encontro-me insone
rendida à bruma da noite
envolta por uma voz de linho branco!

Os olhos se enchem de estrelas
enxugo o pranto,
ele canta - eu canto, parelha!

Seus cabelos de nuvens,
sua boca em tempo de chuva,
seus dedos que me
provaram aos goles,
roubam-me de mim: voo-centelha
aos seus braços...

Trouxera-me a paz orvalhada,
até a Estrela D`alva boceja!
Perfumara a mim e ao dilúculo...

Estendo-me ao linho,
em rendição ao seu ósculo
adormeço em seu colo,
e o amarei mais um século...



Mel 







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quinta-feira, 3 de abril de 2014 | By: Mel Santos

Poesia-zinha

não me segure
sou como peixe
só como peixe
as vezes, cardume

não se acostume
posso mudar,
mudo de casa,
mudo as asas
tenho dom de voar

meus voos são rasos
mas se for o caso
posso-os mudar
os passos são largos

mudo o caminho
mudo o destino
meus passos lasso
não pode alcançar

não me dê nó
eu aceito laço
se me cativar!

me regue
me pegue: leve,
pode me enlaçar!


Mel











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sábado, 29 de março de 2014 | By: Mel Santos

Teus olhos

Hoje, não quero conversa
quero teus olhos
pois neles me vejo brilhar.

Só eles dizem
o que quero ouvir:
só eles dizem me amar!

São janelas d`alma.
Que posso fazer?
Acreditar!


Mel







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sexta-feira, 28 de março de 2014 | By: Mel Santos

O amor

é feito
massagem cardíaca
você entrega 
o outro acaricia e apalpa
com as duas mãos,
com os dedos...
efeito:
a vida brota à flor da pele
afeito,
à memória que ainda nem se fez...
afeto!


Mel







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quarta-feira, 26 de março de 2014 | By: Mel Santos

Ei flor

podo
rego
adubo-a
passo-lhe a mão
transplanto-a
nego a morte
beijo-a-flor
dreno
sem compactação

silêncio agonizante
morte serena
outrora adoçou-me... 
hoje me envenena!

pronto!
um sopro generoso do vento,
uma poda certeira,
adeus minha acácia,
cometi a eutanásia
fora de minha jardineira!

fechei a janela,
joguei-a no terreiro...
quem sabe brotará
noutra floreira?



Mel







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segunda-feira, 24 de março de 2014 | By: Mel Santos

Dor

Sem armas para esse dia,
sem vontade, sem fé! visão
embaciada, qual meus sonhos...
passos travados, à espera do nada...

Desprovida de mim
fiquei à beira da estrada
sem uma mão para segurar
já não sei onde ir...
não tenho onde chegar...

Inda me resta este quarto escuro
onde não preciso de armas
tampouco de escudos
me encolho
não escolho
os escolhos
me recolho!

Pulsa-me a testa e a nuca,
e a nauseabunda vida
não me permite partir!

Minha aura em total iminência,
prenúncio de dor...
Nessa aquarela perdi a referência,
já nem sei minha cor...

De fontanela em fenda
minha aura se expande,
minha energia se esvai,
como se esvaiu o amor, sem dizer-me pra onde...


Mel







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sábado, 22 de março de 2014 | By: Mel Santos

Noctívagos


os hábitos noturnos nos guiam,
as cavernas brunas impele-nos,
teus dedos longos me buscam,
mesmos passos, mesmas asas,
voos dissonantes, mãos ávidas! 

o radar dos sentidos ligados,
o calor do teu corpo acende,
o eco do amor:
a teia
a veia
a ceia
a peia!

és a presa,
a peleja,
a bandeja 
cheia,
o ósculo
desejo;
e nossa fome do outro sacia!
volvemos ao alvéolo,
a Luz ofusca-nos... 
é dia!




Mel










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terça-feira, 18 de março de 2014 | By: Mel Santos

Meu bem



O que se oculta em meu olhar,
é apenas um entrave de solidão,
das horas que passo a desejar,
ter o seu amor em minhas mãos...

Sobre eles pouse o seu olhar, 
imagine se um olhar vai mesmo além,
pois só eles podem lhe falar,
o amor que sinto por você meu bem!

Nem pense em me decifrar,
sou apenas "mulher do litoral",
sou mistério do fundo do mar,
meus olhos pérolas no seu quintal!

Meu bem,
os segredos guardados nesse oceano,
são jóias que trago pra te entregar,
o amor mais puro e mais humano!



Mel




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segunda-feira, 13 de janeiro de 2014 | By: Mel Santos

Tu


Tu, que navegaste comigo
por longas tardes,
Tu, que sonhastes o meu sonho,
que bebeste, eu suponho,
o meu mais doce licor do desejo,

Tu, que tocaste-me a alma,
afinando os mais puros sentidos 
para alcançar os meus beijos!

Tu, alado, que numa nublada tarde 
mandaste-me uma brisa pela fresta da janela,
Tu, que ordenaste-me agarrar a tua cintura 
num gozo divino... dizendo-me: - Voa comigo!
Confesso menino, ( à tua cintura ) nunca esqueci-me dela!

Tu que voaste para longe de mim, por
alguma esparrela,
Tu que me olhas ( ainda ) do canto dos olhos,
fingindo não ver,
Tu, que não ouves mais a minha oração, 

Quero que saibas meu anjo caído,
que terás meu carinho e cuidado,
somente enquanto eu viver!
 
( Um beijo no coração, meu amor eterno! )


Mel





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Amor, amor, amor...



Falas de amor de outra existência,
que fazes de conta que já provaste.
Um amor apinhado de reticências,
ainda, fincado em delicadas hastes.

Amor a se alimentar de retórica,
que só existe porque há espaço...
Amor sem porvir e sem outrora, 
História perdida d'um calhamaço.

Amor a arder o peito, a queimar
a carne...lubricidade de meretriz.
Amor que dizes d'alma, porém só  
o fogo e somente água, o faz feliz!

Amor! Sobretudo, desejo! 
Amor! Mormente, paixão!
Amor de corpo, amor de alma...
Sem esses itens o amor é vão!

Mel




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