sábado, 4 de agosto de 2012 | By: Mel Santos

Peregrina de mim

 
Quem há de ter direito a lançar
o olhar ao seu próximo e marcá-lo
como gado com seu juízo de valor?...
Sem antes,lhe acender as lamparinas,

Sem estar em sua pele,sem comer do
mesmo sal - do pão que o diabo amassou?
Quem há de ter tão sublime moral?...
Esse telhado vigoroso e tão santificado...

Que atire sua pedra e afunde essa nau,
que jogue a merda ao vento e combata
esse mal,que circuncide o orgão sujo,
como se fosse um ritual...

Quem aqui na terra adquiriu tamanha moral,

está pronto em sua doutrina,já caminha a
passos largos para a felicidade cabal...Eu?

Peregrina de mim...

[ -Ah,doce mundo de Sophia...]




Mel

 

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Eu estou sempre aqui, olhando pela janela. 
Não vejo arranhões no céu nem discos voadores.
Os céus estão explorados mas vazios. 

Existe um biombo de ossos perto daqui. 
Eu acho que estou meio sangrando. 
Eu já sei, não precisa me dizer. 
Eu sou um fragmento gótico. 
Eu sou um castelo projetado. 
Eu sou um slide no meio do deserto. 
Eu sempre quis ser isso mesmo. 
Uma adolescente nua, que nunca viu discos voadores, e que acaba capturada por um trovador de fala cinematográfica. 
Eu sempre quis isso mesmo: armar hieróglifos com pedaços de tudo, restos de filmes, gestos de rua, gravações de rádio, fragmentos de tv.
Mas eu sei que os meus lábios são transmutação de alguma coisa planetária. Quando eu beijo eu improviso mundos molhados. 

Aciono gametas guardados. 
Eu sou a transmutação de alguma coisa eletrônica. Uma notícia de saturno esquecida, uma pulseira de temperaturas, um manequim mutilado, uma odalisca andróide que tinha uma grande dor, que improvisou com restos de cinema e com seu amor, um disco voador.

[Fragmentos do texto Disco Voador de Fausto Fawcet
Extraído do show 25 Anos e contra capa do mesmo disco - 1990]








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