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terça-feira, 22 de abril de 2014 | By: Unknown

Indiferença

De tão triste essa tristeza,
nem uma nota benfazeja,
vem em meu encalço acudir...

Só a dor da indiferença,
rasgando o meu peito,
meu presente e meu porvir!

Salva-me de tua ausência,
de teu silêncio alucinante,
sem ti não tenho alegria,
sem ti não vejo horizonte,
talvez, não veja nem a luz do dia...

É essa maldita mal-querença,
que mata mais do que doença,
e não há remédio "seu doutor"!

isso é morrer por gosto
isso é morrer de amor...



Mel



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segunda-feira, 24 de março de 2014 | By: Unknown

Dor

Sem armas para esse dia,
sem vontade, sem fé! visão
embaciada, qual meus sonhos...
passos travados, à espera do nada...

Desprovida de mim
fiquei à beira da estrada
sem uma mão para segurar
já não sei onde ir...
não tenho onde chegar...

Inda me resta este quarto escuro
onde não preciso de armas
tampouco de escudos
me encolho
não escolho
os escolhos
me recolho!

Pulsa-me a testa e a nuca,
e a nauseabunda vida
não me permite partir!

Minha aura em total iminência,
prenúncio de dor...
Nessa aquarela perdi a referência,
já nem sei minha cor...

De fontanela em fenda
minha aura se expande,
minha energia se esvai,
como se esvaiu o amor, sem dizer-me pra onde...


Mel







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terça-feira, 19 de março de 2013 | By: Unknown

Quase


de novo aquele medo
paralisante,
um mal estar físico,
onde fujo pelo céu da boca
em busca do útero,
e assim concentro
as dores do mundo,
num grito mudo,
clandestino ,
quero colo,mãe,pai,
primeiro amor,
fim,destino,
assim não tenho
que agir...
sem ação!
quero teu olhar baço
com pena de mim,
um braço,
um abraço,
uma mão,
um sim!

Todavia,inda resta-me  um lenitivo:
- lavar a escadaria d'alma...
com poesia, flores brancas e água de cheiro,
 enquanto vivo, voltar a posição de quase:
- de quase poeta,
- de quase feto,
- de quase morte,
- de quase nós,
quase!
[ai que dor!]

Mel
 

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sexta-feira, 5 de outubro de 2012 | By: Unknown

Pois é...





Prazer! Prazer? Prazer...

essa é minha outra metade
a outra maldita parte de mim,
a que berra,que chora,que sente
tesão...e se dá o direito de dizer...

É...sei bem,que é uma covardia
não expressar nem meu pensar,
sentir... Pensa que me sinto bem?

Nãoooooooooo...

Quero assinar minha vida,colocar
minha marca em tudo que faço,
quero assumir minhas rédeas...

Antes...bem antes do fim!



Mel




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domingo, 30 de setembro de 2012 | By: Unknown

Panapaná:de partida



Para cada escolha:uma perda!
Sim...é essa urgência de vida,
a falta de segurança,o não encontro...
A despedida!

Para cada escolha:uma perda!
E tem outra saída?
Me jure,me rapte:se prometa,
antes qu'eu te capture!

Para cada escolha:uma perda!
Uma janela,uma porta,uma sede
e uma fome,uma procura do nada
uma angustia infame!...

Para cada escolha:uma perda!
Ahhh, estranha dor 
que me consome...
Tenho que sair de costas,
pra não gritar teu nome!

Ao tirar-te de minhas entranhas,
voaram as borboletas: 
um panapaná - de meu abdômen!

Para cada escolha:uma perda!
...e uma saudade com sobrenome!
[Quem dera pudesse colecioná-las,
ou ser invadida por um enxame...]


Mel



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sábado, 18 de agosto de 2012 | By: Unknown

Loba solitária




Não deveria ceder aos teus encantos,
beber desta poção é suicídio, pois que,
carrego comigo um manto enfeitiçado,    
E neste cálice não há soro anti ofídio!

Gostava de sentir tua alegria, mesmo 
quando pensavas que eu fugia, eu corria 
pros teus braços a todo instante! Me 
encantei por teu amor, como uma loba

solitária se encanta pela Lua dos amantes! 
Inda que o medo gritasse em meu ouvido:
- Chorarás, quando ele partir em retirada;

Ao sentir na pele a maldição, te deixará pelo
meio da estrada, como um pobre soldado
em rendição! E a ti só restará mais solidão!



Mel



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Vento norte




Naquela noite fria
e sem cor,sobre peles,
à luz de uma fogueira,
ele a beija...e ao sentir 
o seu toque nos lábios...

Ela esgueira-se...
Todavia, o frio a toma de 
assalto - e ele num terno
abraço se faz cobertor,
anjo bom! 

(Dá-lhe um laço!)

E ela...Esgueira-se,dessa vez
para aconchegar-se em seu
braço macio e protetor...

Aprecia a Lua,se vê em  seus olhos...

Presságio: um vento galáctico 
vestido de negro,armado de foice,
soprou por ali,e o levou para as 
montanhas do norte...

Fim...



Mel



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( N.L)








sexta-feira, 27 de julho de 2012 | By: Unknown

Sou-lidão

 
Sou...
solstício de uma noite
de verão,

o limite entre o
amor e a dor da solidão.

Sou...
o que não se explica,
uma saudade não sei do que,
 
um fogo,cuja faísca,jamais
irá acender...

Sou...
o opoente,o inverso...o avesso
de você!
 
Sou o lado do imã que te repele,
quando meu outro lado quer te prender!

 Mel


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Solidão, o silêncio das estrelas, a ilusão
Eu pensei que tinha o mundo em minhas mãos
Como um deus e amanheço mortal...




quarta-feira, 18 de julho de 2012 | By: Unknown

Dos desejos



Era um poço enorme
cada um que passava
jogava um punhadinho
de areia...um cadinho
de moeda...fazia um pedido
e o poço sofrido o realizava!
E todos passavam,
pela peneira da alma...
Cada um que partia,
também, um bocadinho
levava...
E aquele poço... ora vazio,
ora cheio...cada vez mais
secava!
Sem encontrar a sua medida
o caminho do meio,a razão
donde há vida...é um cadinho
de água!



Mel


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quinta-feira, 12 de julho de 2012 | By: Unknown

Uma chama


Como uma vela no telheiro...
Uma folha ao léu...
Qualquer pé de vento me apaga,
esmoreço pelo caminho...
Sem fôlego, no meio da caminhada!

Me faltou aquele tiro na disparada,
o amigo ao longo do percurso,
num grito que ecoa na alma dizendo:
- Vai,força só faltam alguns passos!...

Ah,só dei os primeiros passos!...
Meu Deus!Cadê a minha torcida,cadê?
Ninguém pra matar minha sede durante
a corrida?...O que vejo são pés prontos
a dar-me rasteiras...

Ah,meu Deus,não me deixe cair,estou só!
Já usei minhas reservas de sobremaneira..
Estou a um pé de cair!...
E quando eu chegar,meu Deus...
Prepare alguém na chegada...
Quero-o,com minha coroa de louros!



 Mel


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quinta-feira, 21 de junho de 2012 | By: Unknown

Vitrine


Caminhei essa noite pelo cais do porto,
Vi luzes de velas,olhares vazios,nada à mesa!
Janelões enormes,e um bando de mortos

de fome...numa medonha pobreza!
[Tal e qual as vitrines de Amsterdam ]

Dos porões... acenavam, faziam gestos

no afã de me alcançar...línguas com 
fome e sede de amar!Capazes até d'um incesto...

Era tanta fome no olhar...tanta sede,
que chegavam babar! ...de dar pena...
queriam puxar minhas vestes,dantesca 

cena,me afastei - rendeu-me o poema...

Davam-se por dar,carne por carne
um quilo de solidão em cada esquina,
sem amor...por uma mão de menina!






Mel









terça-feira, 19 de junho de 2012 | By: Unknown

Fim de estação




Sinto a brisa leve do adeus,
a soprar os rastros perfumados,
já orvalhando os olhos meus...
sob o teu olhar enluarado!

É o Outono que se vai...
Carregado de saudade
trazendo o Inverno
pra dentro de mim...

E pensar que um dia fomos
Primavera...que o teu sorriso

foi o meu jardim...
 

Que ardíamos nas noites...
De Verão...tanto que a pele

reluzia em carmesim !

Hoje...

Nem as folhas mortas
que um dia escrevi
dizem nada,nem de ti
nem de mim!
Fim de estação!


Mel





Mais nada


Não dá pra sorrir,
não há mais diálogo!
Em mim...
Não há mais nada de ti!
Sou o móvel da casa,
um objeto bonito 

que gostas de olhar...
Sou um pássaro que
cortaste as asas,
para em teus dedos
pousar!
Sou como um cão
sem dono,cujo rabo
te abana,para o pelo
afagar...

 
Sou nada,sou a sombra

de mim...Me sinto humilhada
por nem eu mesma me amar!


Mel











Monólogo da solidão


Queria conversar...
Podes me ouvir?
Não?Então leia...

Sente-se só na multidão?
Também...
Sente o pulsar do mundo nas suas veias...
e que a vida lhe deve algo?
Do que precisa?
Eu preciso de um ar,de um beijo na face,

de uma mão...do teu doce olhar repousando em mim...
De sentir o gosto do teu beijo,do teu cheiro,

que suponho, seja de jasmim...
De ter um amor,alguém que me ame loucamente,
de um jeito medonho!Que me faça morrer de amor...

E me faça acreditar no que sonho!
Alguém como você,exatamente assim!
Preciso de um semelhante...sensível!
Poeta como eu ...só me vejo no olhar de um poeta,
só sei amar poetas, apenas....
Contudo, bem sei,poetas não amam...
pensam que amam e fazem poemas...



Mel





quarta-feira, 13 de junho de 2012 | By: Unknown

Maior que o mar


O que há maior que o
Oceano que me separa de ti?
O que pode invadir-nos...

Adentrar esse espaço...
Quando estou - quando estás 
aconchegado em meus braços?
O que vem ser maior...
O que pode desfazer esse laço?...

Diz!

Não consigo enxergar...
Quem ou o que?...É maior
do que eu e maior que você?...
Só a dor da distância
e a frieza do mar...


Mel




 




sábado, 2 de junho de 2012 | By: Unknown

Pegadas


Um sopro de vento nos cabelos...
Um cheiro de maresia,
...Um voo de Albatroz...

Uma gota em minha face...
Humm...aproveitei e engoli...
Bebi o teu gosto de chuva!
 
Adormeci n'areia branca  
( se tu partiste nem vi ... )
Somente tuas pegadas...


Mel







quarta-feira, 23 de maio de 2012 | By: Unknown

O contraditório em mim


Caminho pel'areia
como se levitasse,
em meus pensamentos
...o mar...
Me sentiria sereia,se acaso,
soubesse nadar...

Um poder enorme se apossa de mim...
e uma sensação de pequenez...
Ora oceano,ora grão... 

Tudo diminui diante do mar,
Ele invade,rouba...nem pede licença,
...e quando devolve, é em outra praia...

O que espero do mar?... 
-Uma garrafa com um bilhete...
Talvez...
Coisas vem...outras vão...
Só você não...


 
Mel



domingo, 25 de março de 2012 | By: Mel

A solidão me fez festa

 
A solidão hoje me fez festa
Vestiu-me de fúnebres flores
Como uma mortalha perfumada,
Na lembrança dos meus amores...

Nem um resquício de lágrima
Nas rezas das carpideiras,
Vivalmas no mesmo ritmo,
qual cantiga de lavadeira!

Num pranto tão compassado
restou a saudade da bailadeira
E a dor do que outrora fui;
Numa tristeza sobremaneira!

Minha felicidade se esvai,
Qual vela queimando à soleira
Porém ,trago uma ponta de
esperança,guardada na algibeira...


Mel