terça-feira, 12 de março de 2013 | By: Mel Santos

Sobrevoo minha insanidade


As vezes penso que perdi a razão,
olho para um lado e para o outro,
e a sensação de não pertencer a
lugar algum, invade-me a alma.

Sinto-me no olho dum furacão,
numa absoluta desconstrução,

quis dar um basta na solidão,
cavei uma solidão descomunal!


O que me desgasta e consome...


Meus pés estão cimentados,
logo eu,que nunca me prendi
ao chão, a não ser...uma doce
saudade,da fissura da minha
terra! Daquela terra rachada,
que nem um pingo de sangue
vertia]

 Meu grito de liberdade,ah... antes,tivesse fugido,
daí já teria encerrado esse episódio[interminável]
essa doença silenciosa,onde não escapa um mínimo
grito.Em estágio final,quero o socorro da eutanásia,
riem-se do meu debater,apresentam mais uma dose,

ninguém vem me socorrer dessa longa metamorfose!
 
Vivo o prólogo duma despedida,mas não desejo o gesto
do aceno,prefiro atirar-me ao mar...no piedoso oceano.

 

Sei para onde vou, no entanto nem caibo em mim,
perdi-me,perdi minha referência;a mão com a qual
eu contava, cansou dessa ladainha...acostumou-se a
viver só...é uma mão que caminha sozinha...as vezes
sussurra de dor, mas só durante à noite, é para ela
que minha mente sempre partiu! Entrevejo o caos,
uma completa ausência,como uma lavagem cerebral;

De mim ,até se foi minhas crenças,
apaguei-as todas do mapa...Penso...
que estou por um fio:sofrendo uma
grave demência; Socorro!Por favor,
com urgencia: uma camisa de força!

Esse travo de loucura que me atravanca
a goela, e pior, o principal desejo findou!
Como sombra que marca passos, sem ao 

menos deixar sequela; minha existência,
talvez,cicatrize a consciência ou me leve
para uma cela;Ela me permitirá ser feliz?

Ainda quem ache isso coragem,ora,ora... 


Quem sabe caio na vida? Sempre tive uma
profunda admiração por quem não prende-se
a nada,perambula pelas ruas, vive à sombra
da madrugada, sem rumo, mala... ou apego,
acho que isso que é Loucura! Minha loucura
não nego.]

Meu pecado: querer demais um amor,todavia,
Amor não se força, não enfia-se goela abaixo,
então,por agora,devo viver sem ter esperança...

Ahh!Me resta a tal liberdade!

O que vem a ser liberdade?

Deve ser perambular pelas ruas...

Foi essa a minha procura? 
Se foi,viva a minha coragem!
Ah...e Amor?...


Mel








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1 comentários:

Sr. Will disse...

Delicioso pouso poético, Mel.

Ao final, "passarinho que se debruça, o vôo já está pronto".

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Mel